Apresentação

Nosso trabalho foi iniciado no meio de 2012, e tem como proposta o estudo deste universo criado por nós, através do Concept Art (segundo o Wikipédia: “É uma forma de ilustração, onde o principal objetivo é transmitir uma representação visual de um design, idéia, e / ou disposição para uso em flmes, jogos, animação ou quadrinhos antes de ser colocado no produto fnal.”).

Criamos todos os elementos que fazem parte desse universo, desde o mapa da região, a apresentação dos principais personagens, e a idéia do que pode se tornar um game de RPG.

Priorizamos o fato de explorar diferentes mitologias e crenças dentro do nosso trabalho. Cada região do mapa sofre infuenciade uma determinada cultura, e toda a sua estética, assim como as pessoas que vivem nesse local tem suas características moldadas de acordo com essa região. Por exemplo, o personagem Yansu, o mago, vive numa região caracterizada pela cultura chinesa, então toda a arquitetura do local em que ele vive, assim como as roupas, as pessoas, e os objetos dessa região são chineses. Tharros, o guerreiro, fora criado dentro da mitologia grega, Lyz, a arqueira tem referencias nórdicas, e Serket Heru, a sacerdotiza, é Egípcia. Fizemos isso para que não precisássemos nos limitar apenas a uma determinada cultura, podendo abranger um estudo maior, buscando novas referências, tentando inovar.

Pensamos também em criar uma história mais crível, pois nosso país, assim como Virtus - nome do continente onde o jogo se passa - é povoado por diferentes raças e culturas, e nada melhor para demonstrar essa realidade do que colocar quatro personagens totalmente diferentes para serem irmãos e trabalharem em equipe.

Interessante também é o fato de que dependendo da região, Numem, o mestre dos deuses, é chamado de um nome diferente. Isso é um indicio de que embora eles façam parte de religiões diferentes, no final das contas, estão todos louvando o mesmo “ser”. Tentamos criar personagens carismáticos, que as pessoas se identifiquem. Acreditamos que isso fará com que a ideia do jogo se popularize e consigamos atingir o nosso maior desejo, que é ver esse projeto se tornando um jogo de verdade.

Quem Somos

Tudo começou no meio de 2012, por termos um interesse em comum por jogos, resolvemos nos reunir para criarmos nosso próprio jogo. Não tínhamos nenhum conhecimento sobre programação, então decidimos por criar apenas a parte da história, o estudo dos personagens, e no final das contas, a proposta do TFC acabou se tornando a criação do conceito do jogo, como se fossemos apresentar ele para uma empresa que pudesse se interessar em produzi-lo. Foi um extenso e árduo caminho para a execução desse TFC. A principal dificuldade inicial foi pelo fato de estarmos em apenas três pessoas. Não sabíamos exatamente por onde começar, e embora tenhamos começado a pensar na historia e a criar os primeiros esboços mais cedo do que os outros grupos, ao vermos a aproximação da data de entrega chegamos a questionar se iríamos conseguir terminar tudo a tempo.

Ao longo do projeto fomos aprendendo a trabalhar em equipe, dividir as tarefas, focamos nas facilidades de cada um. O Matheus criou toda a história do jogo, e a origem de cada personagem. O Fernando e Juliana desenharam e pintaram. O melhor de tudo é que conseguimos levar o projeto até o final sem nenhuma briga ou discussão, todos se empenharam para fazer ele acontecer, a aos poucos o trabalho foi se formando. Aprendemos muito na hora de estudarmos os personagens, tentamos abordar da melhor maneira possível as diferenças de crenças e características de cada um deles. A pesquisa foi longa, pesquisávamos cada palavra, cada nome, para dar ao trabalho um aspecto profissional, pois sabemos que a pré-produção dos grandes jogos requerem um extenso trabalho de pesquisa.

Não sabemos se uma empresa realmente se interessará em produzir o nosso jogo, mas iremos correr atrás disso, porque realmente acreditamos que nossa história tem um bom roteiro, e um grande potencial.




Concept-Art

O que é Concept – Art?

Esse termo começou a ser usado desde 1930 pela indústria tradicional de animação na qual estavam sendo descritas imagens pintadas ou desenhadas que ilustravam a aparência, sentimento, design, cores, etc, do filme animado que estava sendo produzido. Concept - Art é também referida como “desenvolvimento visual”, na animação tradicional. O termo foi mais tarde adotado pela indústria de games. Essas ilustrações tornaram-se necessárias para o desenvolvimento de propriedades visuais.

O profissional dessa área

O “Character Designer” (nome utilizado para esse tipo de profissional) é um indivíduo que cria o design visual de um item, personagem, ou uma área que ainda não existe. Isto inclui, mas não está limitado, a produção de filmes, animação e, mais recentemente, a produção de jogos. O artista pode ser necessário para nada mais do que arte preliminar, ou pode fazer parte de uma equipe criativa, até que o projeto seja finalizado.

Quando se tem vários artistas trabalhando em um projeto, muitas vezes os Character Designers produzem grande quantidade de trabalho nos primeiros estágios do projeto. Isso é necessário para fornecer uma ampla gama de interpretações aos outros profissionais da equipe.

Embora seja necessário ter as habilidades de um bom artista, um Character Designer deve também ser capaz de trabalhar com prazos rigorosos na qualidade de um designer gráfico.

Alguns Character Designers podem começar como artistas plásticos, designers industriais, animadores, artistas de efeitos ou até mesmo efeitos especiais.

Estilos

O Concept-Art aborda desde o conceito de realismo fotográfico, a técnicas tradicionais de pintura. Isto é facilitado pela utilização de um software especial, através da qual o artista é capaz de preencher pequenos detalhes, pixel por pixel, ou utilizar as configurações naturais de pintura para imitar a pintura real. A maioria dos desenhos sendo esta na forma de esboços, pinturas de velocidade e 3D.

Fonte: (http://en.wikipedia.org/wiki/Concept_art)




História

Prólogo

Inicialmente, os Titãs dominavam Virtus – o continente dos guerreiros virtuosos - e o chamavam de Exitium. Nessa época, os deuses eram considerados o exercito de elite dos Titãs, e obedeciam fielmente suas ordens, aceitando o governo cruel e tirano ao qual faziam parte.

No entanto, com o tempo eles começaram a questionar o motivo pelo qual os Titãs estavam no poder, e se a sua forma de comandar Exitium estava correta.

Numem, líder dos deuses, descobriu a fonte de poder dos Titãs, eles se alimentavam da alma dos mais poderosos guerreiros humanos. Então, os deuses uniram-se aos humanos, e declararam guerra contra os Titãs. Muito sangue fora derramado até que finalmente os deuses saíram vitoriosos, renomeando assim o nome do continente para “Virtus” e começando um novo reinado de paz.

Porém, séculos mais tarde, vestígios de Titãs ainda eram encontrados aprisionados em alguns lugares de Virtus. Um dia, May - uma doce camponesa que se encontrava grávida - caminhava pelo campo Parádeisos, quando acidentalmente caiu em um buraco. Aterrissou em um enorme lago, que era na basicamente, constituído por essência de Titã. Ela permaneceu em um estado de inconsciência durante todo o período de sua gravidez.

Por conta da magia de Titã presente no lago, o feto que May gerava acabou por absorver toda essa energia, e se dividiu em quatro partes. Passados os meses de gestação, mesmo inconsciente, May conseguiu dar à luz a quatro bebês. Porém, não suportou todo esse desgaste físico e acabou morrendo no parto.

Numem observava tudo de dentro de sua torre no alto da remota montanha Anikitos. Em um primeiro momento, pensou que aquelas quatro crianças poderiam representar um risco para ele e os outros deuses, ao ponto de cogitar matá-las enquanto ainda eram bebês. Entretanto, após um momento de reflexão, ele chegou à conclusão de que poderia utilizar o poder delas a seu favor. Salvou-as do lago em que elas se encontravam, e mandou cada uma para um ponto diferente de Virtus, para que elas fossem treinadas por diferentes mestres, e quem sabe no futuro, ele poderia ter seus próprios Titãs.

A magia fez com que cada criança adquirisse as condições físicas do lugar ao qual foram enviadas, facilitando assim seu crescimento e desenvolvimento em determinada região. Elas ainda não sabiam, mas seus destinos estavam interligados. Tinham em suas pequenas mãos o poder de mudar todo o universo em que viviam.

Personagens

Yansu

Mago

Mestre: Moshu

Animal: Dragão

Local: Referencias Chinesas

Chama Numem de: Jūnzhū

Origem:

Moshu cresceu em uma montanha, perto de uma aldeia chamada Zen, num lugar muito afastado onde somente algumas pessoas se aventuravam a ir. Era uma terra onde habitavam muitos dragões, muito dos que conseguiram fugir da guerra com o clã dos flechas de fogo localizado no reino de ferro.

Em uma bela noite de verão, Moshu encontrou na beira de sua porta um emaranhado de lençóis sujos e rasgados, dentro se encontrava um pequeno bebê. O bebê o fitava com seus enormes olhos castanhos, pequenos tufos de cabelo também castanhos e uma pele branca que refletia a luz da lua. Em sua mão uma marca em forma de estrela brilhava, azul vivo, como o céu em uma tarde sem nuvens. Naquele momento Moshu percebeu que aquele pequeno ser era especial.

Alguns anos antes, Moshu havia se isolado naquela montanha perto de sua aldeia, afim de escrever livros sobre as diversas habilidades adquiridas em seus muitos anos de estudo. Passou mais da metade de sua vida viajando pelo mundo, descobrindo e explorando os mistérios da magia e encontrando maneiras de expandir seu poder. Se especializou em uma das mais raras artes, a manipulação dos quatro elementos: Ar, Fogo, Água e Terra. Estudou profundamente durante décadas para conseguir essa façanha.

Desde jovem ele sempre teve facilidade com magia, foi treinado por um dos mais poderosos magos de sua época, porém, a curiosidade e a vontade de expandir seus poderes o levou a outros níveis, superando até mesmo seu mestre na destreza da magia, por isso ficou conhecido como “O Grande Elementista”.

O pequeno Yansu aos poucos foi seguindo os passos de seu mestre, e desde muito novo já começou seu treinamento, Moshu , pela primeira vez desde o inicio dos tempos, iniciou uma criança na dominação dos elementos. A pouca idade, o poder de Titã que corria em suas veias, e a pureza de criança facilitaram no contato com a natureza e Yansu demonstrou muita afinidade com essa área da magia. Como eles moravam no alto de um morro, o primeiro elemento usado por Moshu no treinamento foi o vento.

Apesar da facilidade de Yansu na difícil técnica de domínio dos elementos, por outro lado, ele demonstrava ser um garoto desastrado e atrapalhado. Suas magias nem sempre saiam como o esperado, e seus membros compridos, maiores do que o de outros garotos da sua idade, contribuíam para um andar e movimentos desengonçados. Era um garoto bondoso e gentil, mas muito teimoso, sua difícil personalidade o fizeram encarar uma perigosa aventura ainda muito jovem.

Um dia, apesar dos constantes avisos de seu mestre, resolveu passear um pouco longe do morro e avistou uma grande silhueta. Curioso, foi verificar do que se tratava. Ao chegar quase do outro lado da aldeia, se deparou com um enorme dragão cheio de flechas em seu corpo já sem vida. Embaixo, se encontrava um pequeno filhote quase morrendo por causa do frio, não conseguindo respirar direito.

Yansu invocou o ar, que passou pelas pequenas narinas do animal, até chegar em seus frágeis pulmões, sua respiração normalizou, o ar esquentou e envolveu o pequeno corpo do filhote. O jovem aprendiz o levou até a cabana de seu mestre, que o ensinou a cuidar do pequeno dragão.

Passaram-se alguns meses e a saúde dele estabilizou, nesse decorrer de tempo, o filhote passou a ser leal ao garoto . Através de sua magia, Yansu estabeleceu um elo com o filhote, e aos 11 anos ganhou a honra de ser dono e treinador de um dragão. Ele lhe deu o nome de Hulóng. Apesar das dificuldades e novas responsabilidades que seu aprendiz terá que passar, Moshu não se deixa enganar, sabe que esses problemas são frutos da idade, e desde sempre enxergou o grande potencial de seu jovem pupilo. Ele consegue sentir a força que emana dentro dele, e sabe que na hora certa, seu verdadeiro poder despertará. Seu maior temor é não saber se Yansu saberá lidar com tamanha força.




Serket Heru

Sacerdotisa

Mestre: Ebonee

Animal: Serpente

Local: Referencias Egípcias

Chama Numem de: Aman

Origem:

Ebonee era a sacerdotisa mestre de um antigo templo criado para louvar a deusa Ast. Ela fora criada nesse templo, e desde muito nova estudou a antiga arte da cura, e pessoas de todas as regiões a procuram para receber seus cuidados. Um dia, um pequeno bebê foi deixado na porta do templo, e Ebonee se sentiu responsável para cuidar da criança. Lhe deu o nome de Serket Heru, que significa “Deusa protetora”.

As sacerdotisas do templo têm como hábito adotar um incomum animal de estimação, as serpentes. Elas utilizam seus venenos para criar suas poderosas poções. As aprendizes costumam ganhar suas respectivas serpentes aos 8 anos de idade. Nessa idade, é quando a magia começa a se manifestar nas futuras sacerdotisas, e é necessário um ritual que prove para as sacerdotisas mestras que elas tem realmente o dom da magia e da cura.

Serket passou por vários testes, desde provas por escrito, onde era necessário descrever as poções mais complexas, até provas físicas, que requerem certo nível de preparo, afinal, cada vez que uma pessoa utiliza uma magia, um pouco de sua energia é sugada. Ela passou com louvor, e no final do ritual recebeu sua serpente real, que recebeu o nome de Apep.

Serket se destacou, e se aprofundou cada vez mais nos estudos, seguindo os passos de sua mãe e se tornando a mais jovem maga curandeira do reino. Ela só não sabia o quão importante essas técnicas seriam para os eventos que a esperavam no seu futuro.



Lyz

Arqueira

Mestre: Zul

Animal: Águia

Local: Referencias Nórdicas

Característica física: Cega

Chama Numem de: Skaperen

Origem:

Lyz foi deixada na porta de um clã de guerreiros. Uma mulher chamada Zul a adotou. Ela era uma mestra arqueira, líder do clan dos “Flechas de Fogo”. Logo percebeu que sua pequena criança era cega e mesmo assim, apesar de todas as dificuldades que aquilo exigiria, resolveu treiná-la para dominar o arco e flecha.

Zul ensinou Lyz a utilizar seus outros sentidos para reconhecer seus adversários, o som, o tato e o olfato são seus principais sentidos. Porém, o que realmente permitia a ela ser tão exata na sua mira era a magia de Titã que percorria suas veias. Ela era capaz de ouvir até os pequenos passos de um inseto em uma folha, sentir de eucaliptos a quilometros de distância, e apenas com um breve toque, já conseguia reconhecer a pessoa que se encontrava ao seu lado. Ela desenvolveu tão bem sua técnica que dificilmente se percebe que ela é cega. É quase que totalmente independente em todas as funções do dia a dia. O que mais a ajuda em tudo é sua águia de estimação, Augun.

Um dia, Lyz se encontrava sozinha em sua casa, ainda aprendendo a reconhecer os diferentes objetos que a cercavam, e desviar dos obstáculos impostos por Lyz em seu treinamento, quando começou a ouvir um som vindo da janela. Era uma espécie de “piu”, mas não como o das galinhas que eram criadas nas redondezas da região. Era um som rouco, mais grave, que despertou o interesse de Lyz, e a fez ir naquela direção.

Ela pulou a janela da cabana, seguindo o som, até se encontrar debaixo de uma enorme árvore. O som vinha de um dos galhos mais baixos, e em um pulo Lyz o alcançou. Chegou em um ninho, e ao tatear, tomou um susto. Cascas de ovo se encontravam espalhados por todo o lugar, porém, apenas um pássaro parecia ter sobrevivido.

Lyz teve uma certa dificuldade para achá-lo, ele se encontrava enfiado bem no fundo do ninho, totalmente oculto por um emaranhado de galhos e folhas. Sem os sentidos super apurados de Lyz uma pessoa normal jamais o teria encontrado. Era um filhote de águia, pelo que parecia um predador havia atacado o ninho, e apenas aquele filhote havia sobrevivido.

Lyz sabia que a mãe dele voltaria em breve, então se apressou a encontrar algumas minhocas embaixo da arvore, alimentou o filhote, e voltou para sua cabana. Porém, aquele cenário de destruição não saiu de sua cabeça, e durante alguns dias, ela voltou ao ninho para alimentá-lo, e checar se o filhote estava bem. Ela reparou que tudo continuava no exato lugar de antes, um sinal de que nenhum outro pássaro havia aparecido por ali. Depois de uma semana, ela finalmente admitiu que a mãe não voltaria, o filhote havia sido abandonado, ou estava órfão.

Ela o adotou, cuidou dele, e o contato com seus poderes fez com que crescesse mais forte e rápido do que qualquer outra águia. Seus olhos e suas afiadas garras pertenciam a Lyz, ela o treinou para caçar, buscar suas flechas, e observar o mundo por ela. Com o tempo eles se tornaram inseparáveis, a combinação perfeita. Com o passar dos anos se tornariam uma das duplas mais eficientes e letais do continente de Virtus.





Tharros

Guerreiro

Mestre: Kýrios

Animal: Lobo

Local: Referencias Gregas

Chama Numem de: Megálos

Origem:

Em um dia frio, onde os flocos de neve juntavam-se de maneira homogênea sobre os telhados das casas, Kýrios , mais conhecido como Lâmina de Gelo, caminhava pela mata à procura de um dos mais temíveis animais que já haviam habitado a floresta de Legend:

Fowks, o gigantesco lobo negro.

Haviam dois tipos de lobos que rondavam aquela região. Os comuns, e os gigantes. Os lobos gigantes faziam jus ao nome, pois alguns atingiam o tamanho de cavalos. Viviam por até 100 anos, e se reproduziam com maior dificuldade. Por conta disso eram muito raros. Eram quase uma lenda, pois foram vistos poucas vezes, e a maioria dos que foram estudados haviam sido achados mortos.

Porém, nos últimos anos, um lobo gigante e sua matilha haviam sido vistos várias vezes pelas redondezas de Legend. Dizia a lenda, que quando esses lobos apareciam, eram os deuses que os mandavam para castigar a humanidade. Os sacerdotes da região declararam que o nome do gigantesco líder da matilha se chamaria “Fowks”, que significava “Temido pelos deuses” na língua nativa da região.

Após muitas pessoas terem sido atacadas pela matilha de Fowks, o rei Edmund decretou que pagaria mil moedas de ouro para quem trouxesse a cabeça do lobo. Porém, após dezenas de guerreiros falharem na missão, Kýrios , considerado o melhor dentre os guerreiros, foi convocado para acabar de uma vez por todas com aquela fera.

Ao adentrar cada vez mais fundo na floresta, Kýrios começou a reparar que algo estava errado. Uma trilha de sangue podia ser vista pelo caminho, como se alguém tivesse arrastado um animal ferido mata adentro. Ele resolveu seguir a trilha. Suas botas esmagavam o mato que crescia alto naquela região, o cheiro de grama molhada invadia o ar, e ao olhar para cima pôde notar que algumas árvores cresciam por centenas de metros, em alguns casos era impossível distinguir até aonde suas folhas iam. O sol estava oculto pelas árvores. Suas raízes cresciam muito juntas, dificultando a passagem de luz e facilitando a camuflagem.

Um rosnar pôde ser ouvido ao longe. Inicialmente, Kýrios achou que era direcionado para ele, e em um súbito movimento assumiu posição de ataque, alerta a qualquer movimento. Continuou caminhando em silêncio, olhando para todos os lados até que, após colocar um galho para o lado, se encontrou em uma clareira.

Sete lobos estavam abaixados no meio da clareira, com seus dentes à mostra, rabos eriçados, e rosnando para alguma coisa fora da visão de Kýrios , ele reparou também que algo estava no centro do círculo. Agachando-se em um canto, foi aos poucos contornando o local, passando por detrás dos lobos até conseguir visualizar o que causava toda aquela confusão. Foi então que ele viu um gigantesco urso. Encontrava-se em pé, berrando loucamente, prestes a atacar o grupo de lobos.

Tudo aconteceu muito rápido, o urso avançou para o meio do círculo e no mesmo instante começou a ser atacado por todos os lados. Os lobos arranhavam e mordiam tudo o que alcançavam, porém, o urso era muito grande. Com suas enormes patas dava cabo de cada lobo que pulava em cima dele. Kýrios não sabia o que fazia com que aqueles lobos atacassem com tanta raiva, eles estavam enfurecidos, como se aquele urso estivesse cometendo um terrível erro.

Após alguns segundos de uma luta muito violenta e sangrenta, Kýrios conseguiu visualizar o que estava no centro de tudo. Uma enorme loba encontrava-se ferida, e alguns filhotes podiam ser notados ao lado dela, porém, Kýrios percebeu que estavam quase todos mortos. Logo ele supôs que o urso devia ter atacado os filhotes, e a loba ao defender suas crias havia sido gravemente ferida. Agora, a matilha lutava para acabar com o monstro que havia causado aquilo tudo.

Kýrios num impulso decidiu entrar no meio da briga e contrariando as ordens explicitas do rei, que era para acabar com os lobos, resolveu defendê-los. Ergueu sua espada acima do ombro e em um único pulo aterrissou no meio dos lobos, entre a loba e o urso. Ele não soube entender o motivo, mas nenhum lobo fez menção de atacá-lo, eles entenderam que sua intenção era ajudar.

O urso levantou de novo, olhou nos olhos de Kýrios, e avançou. O experiente guerreiro desviava de suas patas e atacava ferozmente o enorme focinho do urso com seu escudo e sua espada. Os lobos não ficaram alheios à luta, e serviam para distrair a fera. A luta durou alguns minutos, homem e lobos se ajudando, flanqueando, trabalhando em equipe.

Até que, em um rápido movimento, Kýrios ergueu sua espada e numa única estocada atravessou o corpo do urso, aproveitando um momento de distração. Kýrios permaneceu no mesmo lugar, com sua espada cravada na barriga do bicho. Passados alguns segundos, os lobos correram para acolher sua líder, e ele os acompanhou.

A loba se encontrava muito fraca, porém deixou que Kýrios a examinasse. Ele não acreditou quando viu aquela cena,a loba era Fowks. Ela girou o corpo, e embaixo de seus pelos negros encontrava-se um lindo bebê. Com olhos cinzas como o de um lobo, e cabelos negros como carvão. Nesse momento percebeu que o temido lobo que habitava aquela floresta, era na verdade uma loba, e seus instintos maternos haviam feito com que ela adotasse aquela criança. Concluiu que provavelmente quem andava matando as pessoas e os cavaleiros que haviam entrado na floresta era na verdade o urso. Entristeceu-se ao ver aquele magnífico animal morrendo.

Junto com o bebê, um filhote de lobo havia sobrevivido à carnificina. Era uma pequena bola de pelos, negro como a noite. Procurava leite nos seios de sua mãe. Kýrios não sabia exatamente o que fazer. Primeiramente, tentou estancar o ferimento de Fowkes, porém, sem sucesso. A loba gemia e se debatia, e ele sabia que ela já havia perdido muito sangue. Nada pôde fazer, a não ser esperar, incapaz de mudar o inevitável.

Após cinco longos minutos, ela finalmente cedeu. Deitou a cabeça no colo de Kýrios , olhou bem no fundo dos seus olhos, como se dissesse : “- Cuide dos meus filhos...” Deu um último e longo suspiro.......e se foi.

Naquele momento, Kýrios decidiu que agora sua missão mudara. Iria cuidar daqueles dois bebês como se fossem seus, resolveu que chamaria o lobo de Fowks, em homenagem à sua mãe. Já o bebê precisaria de um nome forte, afinal, se dependesse de Kýrios, seria o maior guerreiro que já passou por aquele mundo.

Foi então que em sua mente veio o nome: Tharros.

Esse nome significava coragem em sua língua natal, e tudo o levava a crer que coragem era o que não faltava naquela pequena criança.





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